Clichê & Demodé

Poemas,poesias,punhetas mentais,coisas clichês,demodés,enjoadas,rispidas,loucas,...

domingo, novembro 19, 2006

Minto

Um cigarro após o outro
Não vão me trazer a resposta
Uma cerveja atrás da outra
Não vai me dar coragem.

Uma balada após a outra
Não me deram amores
Uma estrada após o vazio
Só me trouxe mais do nada.

Um cérebro atrás de um rosto
Uma vida atrás dos outros
E uns poucos baseados
Umas garrafas de vinho.

Não me trouxeram muito
Do que eu almejo em meu caminho
Os mais estreitos corações
Encontram-se ridículos.

Uma chance para mim
Nessa chance eu me retiro
Visto a roupa que está suja
Eu minto... Eu minto.

Samuel Costa

--------------- ~ ----------------
Envelheço

Minha solidão se alimenta de minhas mãos
De meus dedos em atrito com minha alma
Minhas variações de humor sarcásticas
É somente meu escudo contra a fumaça.

Minha solidão se esvai pelos cantos
E eu canto canto pra ver se chove.
Mas escurece em meu desasossego
E a cada dia eu envelheço.

A cada nota dessa música
É um pedaço que me exponho
A pensar que o amor existe
Mas de qualquer forma tudo é estranho.

Tudo o que sinto, tudo o que sou.
É um espelho da minha alma
Que há muito tempo procura
Algo que talvez não vá embora.
Samuel Costa

quarta-feira, novembro 15, 2006

Fado dos mil amores

Pornografias destiladas em vermelho
Sentimentos vãos decorados com flores
Lágrimas escondidas nos lençóis de cetim
Mãos distantes de qualquer toque de alma.

Meus pés teimam em sair sem rumo
Meu coração dispara um vazio descomunal
Que nada mais por hora consegue preencher
Nem mesmo minha poesia contrita.

Onde estará você agora nessa noite triste?
Acendo mais uma esperança infame
Espero ao passo de gigante você chegar
E você não vem, você nunca vem.

Então me visto de cinza e saio por ai
Entrego minha alma à primeira alma distante
Num beco qualquer da minha língua
Entregando sempre um pedaço do meu coração.

Esquecendo-me que o amor não existe mais
Em tempos de luxurias gregas disfarçadas,
Rostos amigáveis e mentirosos sorriem.
Frente a toda essa maré contraria,
O melhor é entregar-se ao fado dos mil amores.

--------- ~ ---------
Boêmio

Sem sono e sem escrúpulos sigo só
Pelo caminho que você esteve
Eu sigo sem uma lembrança de seus passos
Na lida que eu poderia esquecer.

Mas eu sinto liberdade nos meus poros
Na minha alma errante e vagante
Sou um boêmio, exímio sonhador.
Por mais que me machuque eu ando.

Ando por ai mesmo sem sair
Sem ter aonde ir, sem tentar
Voltar os ponteiros o tempo passa
E eu um dia esqueço, eu esqueço.
Samuel Costa