Clichê & Demodé

Poemas,poesias,punhetas mentais,coisas clichês,demodés,enjoadas,rispidas,loucas,...

domingo, agosto 13, 2006

Eu quero


Quero um amor que venha livre
Que me faça esquecer as horas
Desses amores clichês empolgados
Cheio de palavras inpensadas.

Quero o vício de um amor tranqüilo
De risos e beijos incessantes
Com pipoca e filme na semana
E depois se enrolar em transas.

Quero ligar e perguntar sobre o dia
Descer pra tocar violão no mar
Se abraçar, se abraçar, ter comigo
Dançar solfejando bossa nova.

Quero conversar bobagens
Ouvir gargalhadas sonoras
Parar no tempo e só olhar nos teus olhos
Sentir sua alma entrando na minha.

Quero ser eu perto de você
Comer chocolate meio-amargo
Escrever poesias sobre nós
E cantar no seu ouvido nossa canção.

Quero um amor pra aprender a amar
Pra ter ciúmes e brigar, e depois se abraçar
Um desses que escrevemos um livro
Desses amores que nos fazem perceber
O quanto é simples ser e viver.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Pinotage

Meus sensos me enganam
Meu vinho é seco
O cigarro está aceso
Eu me anoiteço.

Chego em casa tarde
eu me estremeço
Fico em desasossego
Só pensando em você.

Esse é o preço, de tantos beijos
A moeda que paga a dor
O curso de todo esse amor
Está perdido no vento.

Se você vier, eu digo que estou
Na janela a te esperar
Desde o momento que ligou
A minha vida com a sua.

*Eu sei que você virá, mas como eu queria que fosse prá ficar...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Instruções/Balada do adeus


Se eu me trair bata na minha cara forte
Se eu ficar nu, dê-me pelo menos um jornal
Se eu te desprezar, cuspa na minha cara
Se eu te amar nunca diga que foi nada.
Se eu fugir ouvirão meu nome
Se eu mentir não fique longe
Se eu cair não me dê a mão
Se eu cantar é com o coração
Se eu fingi foi por tensão
Se eu rimei peço perdão...

>>

Hoje você ligou na hora marcada
Do que eu queria dizer,não disse nada
Ha!Meu amor, não é nada
É só o tempo lá fora.

E deixa chuver pra misturar minha alma
Sem o acalanto dos teus pés subindo a escada
Com meu rosto cheio de lágrimas
Deixa em paz meu coração...

Desaparece por esta estrada
Finge que de mim não levou nada
Feche as portas e as lembranças
Ligue o carro e vá ver suas crianças...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Em vão

E quanto desejo arde que não se esvai?
Aqueles que nem de mim pertencem.
Queimam meu trono de luxúria
Me fazem prostituta das circunstâncias.

Cegam meus sensos e negócios
Não sou mais o devasso insólito...
Eu perdi meus personagens morbidos
Agora sou eu que chama, posso?

Solicito as desavenças e descrenças
As bebidas, o veneno, a ilusão
Vou bater na sua porta pela madrugada
Só prá dizer o quanto você me fez ser solidão.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Degraus


A escada é longa e meus sapatos apertam
Não consigo discernir os degraus molhados
Minhas mãos deslizam devagar no apoio
Os olhos estão mareados dessa noite.

Meu corpo fede a cigarro barato e úmido.
Não vejo a hora de entrar no banho
Mas está distante demais até agora
A boca seca clama por água e beijos.

A cada degrau uma má lembrança da noite
Mais uma vez eu estava ali naquele lugar sujo
Ali sabe? Onde deixei você dançando embriagada.
Na verdade você já havia me deixado só, há tempos.

Os degraus não acabam, ajoelho no meio do caminho
Mas eu estou sozinho mais uma vez, com medo
De ficar sozinho? Talvez de ficar sem esperanças.
Esperando o vento trazer mais um pouco de conforto.

Procuro forças pra continuar, nas minhas veias roxas
Levanto, respiro fundo, continuo e continuo, sem esperar.
Ou talvez eu espere demais de uma noite, não sei...
Mas envelheço cada vez que penso assim.

Enfim estou no meu quarto mais uma vez
Sozinho, mas não tenho tempo de pensar
As dores de uma noite vazia tendem a relaxar o corpoVocê só deita e dorme, e sonha, sonha que existirá alguém.

Dejávu

Escuro, luzes, pessoas, pessoas dançando
Fumaça, vertigens, pessoas me olhando
Escadas, subidas, descidas, cigarros e bocas.
Néon, brilhos, grifes, bebidas e risos...
Beijos, brigas, esperanças, intrigas
Conversas, estranhos, filas e desconsolados
Seres, lugares, colorido, luxúria!
Esbarros, sapatos, humores e desamores.
Gostos, azedos e doces, flores?
Música, sons, e o belo, mascarados?
Chão, cerveja, e almas sebosas
Pessoas perdidas, e que se acham
Visitantes, turistas, malabaristas e raios.
Apertos de mão, de bundas, vômitos.
Expectadores, participantes, atores.
Noite, calor, suor, corações
Olhos, olhares, expectativas e desenganos.
Madrugada, relógio, hora, sono.
Dinheiro, pagamento, bolsos, e carteiras.
Latas, sujeira, dentes e adeus.
Dia, céu, carro, luz e óculos escuro
Cabeça, dor, remédio e cama.

Samuel Costa

















*Crianças, não façam isso em casa!