Clichê & Demodé

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quinta-feira, junho 07, 2007

Medo do Escuro

Minha noite foi mais uma noite
Mais um dia perdido em busca do nada
Onde nada se construiu e nada progrediu
Noite sem lua porém cheia de estrelas.

Há espaços longos demais entre as pessoas
Quase não se vê beijos, tudo é imagem;
Ninguém ri de verdade e nem há olhares
Todas as atenções estão voltadas para os bolsos e as etiquetas.

Morte a esse mundo vazio, onde não há cor!
Em que museu poderei ver o amor exposto?
Os lábios de muitos a tempos estão secos
Sedentos, porém, de orgulhos se cerram.


Não se provam entre si as bocas, nem se faz mais amor!
Era do vazio, dos prazeres solitários, dos vícios ordinários;
Do espírito de porco, da pose, da grife, e do engano
Ai que pobre coração é o meu e o seu, massas inócuas.

Alugaremos Bel & Ami e sujaremos nossas mãos de nós mesmos
Depois beijaremos o espelho em sinal de amor próprio
Cansei disso tudo! Aposentei minhas maquiagens
Destruí as máscaras e voltei a usar óculos.

A noite não é cruel, nós é que o somos.
Um bando de criancinhas medrosas
E nem lembramos que somos frágeis;
Quando chegamos em casa o travesseiro é quem sabe
Quantas lágrimas derramam por medo do escuro.