Degraus

A escada é longa e meus sapatos apertam
Não consigo discernir os degraus molhados
Minhas mãos deslizam devagar no apoio
Os olhos estão mareados dessa noite.
Meu corpo fede a cigarro barato e úmido.
Não vejo a hora de entrar no banho
Mas está distante demais até agora
A boca seca clama por água e beijos.
A cada degrau uma má lembrança da noite
Mais uma vez eu estava ali naquele lugar sujo
Ali sabe? Onde deixei você dançando embriagada.
Na verdade você já havia me deixado só, há tempos.
Os degraus não acabam, ajoelho no meio do caminho
Mas eu estou sozinho mais uma vez, com medo
De ficar sozinho? Talvez de ficar sem esperanças.
Esperando o vento trazer mais um pouco de conforto.
Procuro forças pra continuar, nas minhas veias roxas
Levanto, respiro fundo, continuo e continuo, sem esperar.
Ou talvez eu espere demais de uma noite, não sei...
Mas envelheço cada vez que penso assim.
Enfim estou no meu quarto mais uma vez
Sozinho, mas não tenho tempo de pensar
As dores de uma noite vazia tendem a relaxar o corpoVocê só deita e dorme, e sonha, sonha que existirá alguém.

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